sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

MÁXIMAS E MÍNIMAS DE KATHERINE MANSFIEL

CRIAÇÃO – “Serei eu capaz de exprimir algum dia o meu amor pelo trabalho, o meu desejo de perfeição, a minha ânsia de um labor mais consciencioso? Serei eu capaz de dizer esta paixão que sinto – que substitui a vida, porque é a própria vida? Sinto-me às vezes tentada a joelhar diante do meu trabalho e adora-lo. DIÁRIO – “Tenho de pôr o meu diário em andamento e tenho de conservá-lo em dia. Mas serei eu capaz de ser honesta? Se mentir, esse diário não servirá para nada. HONESTIDADE – “A honestidade é a única coisa que me parece mais preciosa do que a vida, do que o amor e do que a morte. Só ela permanece. Feitas as contas, a verdade é a única coisa que merece ser possuída… A verdade é mais comovente, mais alegre e mais ardente do que o próprio amor… Tudo acaba por nos abandonar mas ela não pode trair-nos. MAL – “Quando um mal está diagnosticado, qualquer demora que atrase o esforço para curá-lo causa um enfraquecimento fatal. Mar – “O mar, aqui, é mar verdadeiro. Encapela-se, levanta-se e torna a cair com um barulho estrondoso, seguido de um longo rolar macio; por vezes, dir-se-ia que tenta escalar o céu e MORTE– “Como seria intolerável morrer deixando apenas fragmentos, esboços, nada de verdadeiramente acabado! PARTIR – “Cada vez que abandonamos um sítio qualquer deixamos atrás de nós qualquer coisa de precioso que morre. REPRESENTAR – “Todos nós começamos por representar um papel e, quanto mais perto estamos do que desejaríamos ser, mais perfeito é o nosso disfarce. representar, agora, é agir. SER – “Para fazermos seja o que for, para sermos seja o que for, precisamos de ser inteiros, de fortificar a nossa fé. SOFRIMENTO – “Não há limites para o sofrimento humano. Quando se pensa ‘Agora toquei o fundo do abismo, agora não posso descer mais fundo…’ – eis que descemos mais, ainda mais e assim até ao infinito. (…) O sofrimento não tem limites, é a própria eternidade. (…) O sofrimento pode ser vencido. (…) Temos de nos submeter. De não resistir. De o acolher. De nos deixarmos submergir. De o aceitar plenamente. De fazer da dor uma parte da vida. Tudo o que na existência verdadeiramente aceitamos sofre uma transformação. Assim, o sofrimento deve transformar-se em Amor.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

NATAL 2013

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Se a gente é capaz de espalhar alegria Se a gente é capaz de toda essa magia Eu tenho certeza que a gente podia Fazer com que fosse Natal todos os dias Que o Natal comece no teu coração Que seja pra todos, sem ter distinção Um gesto, um sorriso, um abraço, o que for O melhor presente é sempre o amor.

sábado, 14 de dezembro de 2013

PAPA FRANCISCO ELEITO HOMEM DO ANO PELA REVISTA TIMES

Quando parece que há caminhos novos que rompem com o passado, Francisco lembra uma singular fidelidade; é na sua Exortação Apostólica "A alegria do Evangelho", nª32: "Compete-me como bispo de Roma permanecer aberto às sugestões tendentes a um exercício do meu ministério que o torne mais fiel ao significado que Jesus Cristo lhe deu e às necessidades actuais de evangelização." De que o mais precioso para os homens seja uma Pessoa, e não "valores", dou só mais um exemplo. Na sua Mensagem para o XLVII Dia Mundial da Paz (1 de Janeiro de 2014) "FRATERNIDADE, FUNDAMENTO E CAMINHO PARA A PAZ", Francicso não deixa dúvidas: "Como se lê na Carta aos Efésios, Jesus Cristo é Aquele que reconcilia em Si todos os homens. Ele é a paz, porque, dos dois povos, fez um só, derrubando o muro de separação que os dividia, ou seja, a inimizade. Criou em Si mesmo um só povo, um só homem novo, uma só humanidade nova (cf. 2,14-16)". "Em nove meses, ele soube colocar-se no centro das discussões essenciais da nossa época: a riqueza e a pobreza, a equidade e a justiça, a transparência, a modernidade, a globalização, o papel da mulher, a natureza do casamento, as tentações do poder", justifica a directora da Times, Nancy Gibbs. O Vaticano congratula-se: "É um sinal positivo que uma das recompensas mais prestigiosas dos media internacionais seja entregue a uma pessoa que apregoa os valores espirituais, religiosos e morais no mundo e promove verdadeiramente a paz e a justiça",

sábado, 30 de novembro de 2013

REGRESSO

Regresso Regresso às fragas de onde me roubaram. Ah! minha serra, minha dura infância!
Como os rijos carvalhos me acenaram, Mal eu surgi, cansado, da distância! Cantava cada fonte à sua porta: O poeta voltou! Atrás ia ficando a terra morta Dos versos que o desterro esfarelou. Depois o céu abriu-se num sorriso, E eu deitei-me no colo dos penedos A contar aventuras e segredos Aos deuses do meu velho paraíso. MIGUEL TORGA

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

CAMINHOS DO ALÉM

Caminhos do Além: os Mortos na Cidade dos Vivos no Século XVIII por Ana Cristina Araújo Como escreveu Miguel Torga, “O olhar da História petrifica o que vê”. Para o Historiador, a morte, colocada no fio do tempo, é simultaneamente monumento e documento. Inserida num sistema ritual multissecular, a sua representação regista, na sociedade portuguesa do século XVIII, mudanças qualitativas apreciáveis. Os ritos e as atitudes dos crentes denunciam o recuo gradual da pedagogia do medo. Os agentes das novas práticas fúnebres antecipam a imposição social de modelos de celebração memorial mais complexos, de natureza familiar e de acento secularizado. Paralelamente, com o início da campanha a favor da criação de cemitérios públicos, a questão da segurança dos vivos prenuncia a alteração do lugar dos mortos na cidade.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

TALENTO

Há certos talentos que nascem connosco. Mas é verdade que um talento inato permanece, muitas vezes, desconhecido, até ao próprio que o possui. O ambiente em que se vive, desde que se nasce, é determinante. Considero um engano aquela ideia de que, nascendo com determinado talento, ele acabará por se revelar, mais cedo ou mais tarde, qual toque de génio, independentemente das circunstâncias da vida de cada um, encontrando-se o mundo pronto para aplaudir. Lembrei-me disto, ao ler um artigo sobre uma jovem escritora, na revista Ler Nº 125, de junho passado. Rebeca Amorim Csalog estreia-se, aos 17 anos, com Glyrmandia (Editora Planeta), um romance de fantasia com um herói português. Rebeca diz-nos que escreveu a história «que gostava de ter lido aos treze anos, quando era uma devoradora de fantasia». Foi precisamente com essa idade que começou a escrever o livro, que, entre pesquisas, escrita e revisões, demorou algum tempo a ficar concluído. Até porque Rebeca frequenta o 11º ano do curso de Artes Visuais na Escola Secundária de Camões, paralelamente ao curso de Música no antigo Conservatório. E é aqui que o talento se liga ao ambiente em que se vive. A jovem escritora está, desde sempre, ligada às artes, toca harpa desde os seis anos. E diz-nos: «foi a minha mãe que sempre me leu histórias e me incentivou a imaginar e a inventar quem me transmitiu o gosto pela leitura, que mais tarde originou o gosto pela escrita». Há exceções (raras, muito raras), mas, sem ajudas e incentivos, não se vai a lado nenhum, por muito talento que se possua. Aliás, o talento conta apenas 30 a 40% para o sucesso de um escritor. O resto é disciplina, muito trabalho, sorte e, claro, os tais incentivo e ajuda. Ainda bem que há famílias que proporcionam a libertação do talento aos seus rebentos, e o apoiam, como o fez a de Rebeca Amorim Csalog.